quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Paradoxo das escolhas


Para quem me conhece sabe que estou numa fase mais delicada da minha vida, por um simples, ou talvez não, motivo: tenho de fazer uma escolha. Toda a minha vida pensei que quando tivesse uma relação intima, um emprego fixo (onde até recebo bem), uma casa, amigos, enfim uma vida idílica estaria completa, nunca eu pensei que mesmo com todas estas qualidades me iria deparar com uma decisão difícil. E para alguém que como eu vive a vida a pensar, fazer uma escolha não vem naturalmente, exigem muito que pensar e ponderar.

Durante toda a minha vida estive preocupada em fazer escolhas, e fazê-las bem. Sempre me perguntei se as minhas escolhas de profissão, relações, enfim vida, me levariam a atingir todos os meus objetivos. Várias vezes refleti a respeito do curso universitário que escolhi. Será que as escolhas que tenho feito tem sido bem feitas?

A vida é toda feita de escolhas. Existe a esquerda e a direita. E ainda, podemos ficar parados, o que também consiste numa escolha.

Escolher é medir, colocar todos os dados numa balança e dar um parecer do que parece menos arriscado, mais saudável e que nos agrade mais. Assim funciona o mecanismo de escolha. Contudo, na prática, tudo torna-se mais difícil. As incertezas tornam-se as grandes vilãs.

Procurando aprofundar um pouco mais, todo o processo de decisão engloba a análise de variáveis objetivas e pelo menos uma delas subjetiva. Esta última é o medo.

A dúvida nasce do medo. Por isso é tão difícil fazer escolhas. Algo que poderia ser tão simples como ir para a esquerda ou para a direita torna-se um dilema. E se eu escolher a direita ao invés da esquerda, o que haverá no final deste caminho? Qual será o resultado desta decisão? Será a melhor opção? Estarei escolhendo o melhor? Existe um episódio de uma série muito familiar, aqui na Inglaterra, “How I meet your mother” onde o personagem principal Ted Mosbey sai à rua e decide em vez de virar à direita, para uma loja de Baigles que ele gosta bastante, vira à esquerda e tem uma série de encontros que, se ele tivesse escolhido virar à direita nunca teria tido. E todo o resto da sua vida desenrola em função dessa escolha, que não só infliencia e bastante a sua vida como os dos outros à sua volta.

Todas as manhãs decidimos: levantamos-nos da cama ou não?
Esta é a primeira escolha todos os dias. E até que não é difícil. Mas..., e as outras durante a vida? Estudar ou trabalhar, casar ou esperar, morar sozinho ou continuar em casa dos pais, viajar ou economizar, fazer sexo com preservativo ou sem, falar ou calar, prosseguir ou regressar, comer ou fazer dieta. A vida é um jogo de escolhas.

Tudo se torna bem mais complexo quando se percebe que as escolhas irão influenciar a vida da nossa família, dos nossos filhos, da nossa organização.

Mas, a questão do momento é, como fazer a melhor escolha?

Existem vários factores determinantes nas nossas escolhas. Falo aqui de três deles: informação, auto-estima e maturidade.
Imagine-se a passear pelos corredores de um supermercado, e temos:
Informação
Hoje em dia, mais do que nunca, é importante que tenhamos algum conhecimento sobre as características nutricionais dos alimentos.
Mas algumas, ou muitas das vezes, mesmo sabendo que nos fará mal, colocamos no carrinho aquele pacote colorido e engordurado de batatas fritas. Por que fazemos isso?
Auto-estima
Contudo, não basta ter informação. Quem gosta mais de si, cuida melhor de si!
Mas algumas vezes, mesmo sabendo o que nos faz bem e gostando de nós mesmos, ainda saímos com as tais batatas fritas debaixo do braço, não é?
Maturidade
Só quando agirmos como adultos seremos capazes de resistir às tentações e apelos que tornam o pacote de batatas fritas mais desejável do que a salada de fruta. A criança em nós irá desconsiderar com muita facilidade as informações nutricionais que acompanham os rótulos das embalagens, e estará pouco preocupada com o bem-estar.

E agora, pense comigo...

Se isto ocorre nesse simples acto de fazer compras num supermercado, será que não ocorre também nas escolhas maiores da nossa vida? Pense na escolha de um emprego, por exemplo. Ou nas escolhas que fazemos nos nossos relacionamentos, ao escolher um amigo, ou mesmo um parceiro.

E na prática é assim...

Seja qual for a nossa escolha, procuramos-nos informar sobre a situação. Informamos-nos sobre a empresa onde iremos trabalhar? Tivemos tempo para conhecer a pessoa que se quer aproximar de nós. Procuramos verificar a veracidade da situação, sem tentar distorcê-la! – Informação (e aqui muitos de nós, e contra mim falo, falhamos redondamente).

Mas, muitas vezes recusamos-nos a ver o que nos está a ser mostrado. Da mesma forma como evitamos ler o rótulo com a quantidade de calorias naquele atraente pacote, preferimos fantasiar a respeito de muitas coisas na vida. E é assim que transformamos sapos em príncipes. E lembre-se sempre que ao fazer escolhas... nós merecemos o melhor. Se aceitarmos menos, receberemos menos, simples. Cada um de nós recebe o que acredita merecer. Por isso não devemos levar a vida a contentamos-nos com sapos. A vida é muito curta. – Auto-estima.

É preciso que olhemos para além da escolha momentânea, é preciso que a escolha que fizermos nos faça sentir bem, e não culpa, ou medo. Escolhas saudáveis fazem-nos sentir bem. – Maturidade
Mas, quando falo em fazer a melhor escolha, não me estou a referir a qualquer escolha. Estou me a referir àquela que me levará a uma melhor situação que a actual, aquela que representa ao mesmo tempo o mínimo possível de prejuízos e o máximo possível lucro.

Pelo que parece, escolher é mais complexo do que se imagina.

Mas..., como poderemos chegar a este resultado? Existirá uma maneira de combinar as variáveis a fim de tomar sempre a decisão perfeita?

Agora pense um pouco antes de escolher sua resposta. Lembre-se de que a resposta é uma escolha e independentemente de qual seja, escolhemos-a porque cremos ter sido a melhor que poderiamos ter dado. E o que pode parecer que é uma decisão “perfeita” numa altura poderá não o ser passado algum tempo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As virtudes da Mentira

A mentira é um vício apenas quando faz mal, quando faz bem é uma grande virtude”.

Jacques Anatole France


Esta semana dei comigo, com uma grande vontade de ir ao cinema. Depois de lutar, contra a minha pouca energia para sair de casa, dei comigo, em frente ao cinema tentado escolher uma película que me agradasse. De imediato surgiu, “The Invention of Lying” (que traduzido em Português literal, significa a “Invenção da Mentira”). Nunca eu pensei que tal filme, categorizado como uma comédia, me deixasse a pensar sobre as “Virtúdes da Mentira”.

Segundo a Wikipédia, a Mentira é uma declaração feita por alguém que acredita ou suspeita que ela seja falsa, na expectativa de que os ouvintes ou leitores possam acreditar nela. "Mentir" é contar uma mentira. Uma pessoa que conta uma mentira, em especial uma pessoa que conta mentiras com frequência, é um "mentiroso".

Parece simples não,.....pois infelizmente, não é. Fomos criados numa sociedade que tem como valor moral, a não utilização da mentira. Desde pequenos somos educados a não mentir. Ouvimos, desde cedo, expressões tal como “Mentir é feio”, “Se mentires, cresce-te o nariz”, entre outras. Até temos uma história infantil, que nos mostra que um menino que mente, é fustigado com um aumento do nariz, de forma a que ensinemos às crianças que, mentir é errado. Mas apesar de tudo isto, e em especial quando crescemos, prosseguimos a mentir sistemáticamente e, por mais incrivel que pareça, consideramos que as crianças na sua honestidade, são seres crueis, umas com as outras, tudo isto, quando elas somente estão a levar a cabo que lhes ensinados em relação à mentira.

Mas, e se encararmos a mentira, não como algo prejudicial, mas sim como um bem fazer a outro indíviduo.

Claro que para distinguirmos, entre estas duas perspectivas temos que aprofundar o pretexto da mentira. Toda a história cristã, está repleta de narrativas onde alguém “mente” face a uma advertência, temos por exemplo, a lenda da Rainha Santa Isabel.

D. Isabel dedicou a sua vida a fazer o bem, alimentando, vestindo, tratando sempre os mais necessitados. Na corte havia quem achasse que a rainha fazia gastos demais, e fosse intrigar junto do rei. D. Dinis proibiu a rainha de continuar ajudar os mais necessitados. Um belo dia de Janeiro – quando as rosas ainda não estão em flor D. Isabel saiu dos seus aposentos, com o manto cheio de pão para dar aos pobres, quando se cruzou com o rei, que estava à espera de a apanhar.
- Onde ides tão cedo? – perguntou D. Dinis
- À igreja de Santa Cruz, enfeitar os altares
- E que levais no regaço?
- São rosas Senhor
- Rosas em Janeiro? Quereis enganar-me?
- A Rainha de Portugal não mente.
D. Isabel abriu o manto e deixou cair belíssimas Rosas Brancas. Assim é a lenda do milagre das Rosas.

Segundo este exemplo, e muitos outros por toda a história, mentir não só serviu para salvar o real traseiro da Rainha D.Isabel, como para provar que se mentirmos por um bom motivo não devemos encarar uma punição.

Mas em última análise, o que é que pode ser considerado um “bom motivo”.

Reportemos agora a outro filme, desta vez, uma comédia romântica: “Ele não está assim tão interessado” (filme que qualquer rapariga que foi recentemente abandonada deveria ver).
Mas, para quem ainda não viu, a história começa com um garoto, que além de empurrar uma menina indefesa ainda a insulta, e quando ela, reporta a história para a sua mãe, esta tem esta reacção:
- Aquele garotinho faz estas coisas horríveis por que ele tem uma queda por ti.
E aí está! Uma mentira que consciente ou não, molda o nosso pensamento e o nosso futuro nas relações. Porque, tal como a autora nos diz: “Somos todas encorajadas, não, programadas para acreditar que se o rapaz age como um idiota, é porque ele gosta de nós”.
Mas em última análise, porque é que dizemos estas coisas umas às outras? Será que neste caso uma mentira piedosa, vale mais do que mil verdades? Será que os benefícios de contar uma mentira a alguém que acabou de ser abandonado suplantam as virtudes da verdade?

Ok! Podemos então afirmar, que se for para nos salvar de uma situação em que estamos a fazer o bem ou se for para protejer os sentimentos de uma pessoa amiga, é legítimo mentir.

Contudo, nos dias que correm, será que, a mentira foi tão frequentemente utilizada que o seu sentido, ultimamente parece tender a ser banalizado?

A resposta a esta questão é: sim. Tanto que desde meados de 1560 que possuímos um dia, que celebra o que temos como valor imoral: 1ºde Abril – dia das mentiras, onde mentir e pregar partidas é tido como saudável e até esperado.

E assim já temos três situações, onde mentir não é considerado como impúdico.

Em última análise, e perante a sociedade dos dias de hoje, penso então que, desde que o intuito da mentira não seja enganar deliberadamente o leitor ou ouvinte, esta seja contada no 1ºde Abril e especialmente se for para proteger o coração do ouvinte de uma verdade mais cruel, esta não só pode ser dita como deve ser encorajada. E assim podemos concluír que o mundo não é feito de somente de pretos e brancos, que existem muitas àreas cinzentas.