quinta-feira, 4 de março de 2010

Love is...

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís Vaz de Camões


E então, de repente, naquele lugar os olhos encontram-se. Primeiro sente-se uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalha em calafrios que procuramos disfarçar. Um leve suor nas mãos. No primeiro encontro, os lábios ressecam um pouco antes do primeiro beijo, as palavras tremem embaraçadas em pensamentos confusos. Joelhos que mal sustentam o peso do corpo. Esquecemos do mundo lá fora em eternas horas de silenciosa saudade ao telefone...

Quem pode dizer que nunca sentiu coisa parecida – os cientistas. Nós queremos vos convencer de que o amor não passa de um conjunto de reacções químicas, anatómicas e equações bioquímicas. Mas até onde é que a ciência pode realmente traduzir em experiências químicas aquilo que para muitos de nós é a verdadeira essência do ser humano?


O amor aparece nas mais diversas áreas do pensamento humano, da poesia à imagem funcional cerebral, da mitologia à patologia, da razão para o prazer à motivação para o crime.

A despeito de todos os tubos de ensaio de sofisticados laboratórios e reações químicas e moléculas citoplasmáticas, afinal, deve haver algo mais entre o céu e a terra...

De qualquer forma, quando decidimos que temos química com alguém, o mais provável é que estejamos literalmente certos. Os cientistas chamam-lhe Feniletilamina (provoca as sensações de exaltação, alegria e euforia), dopamina (responsável pela sensação de prazer que sentimos, e pelas manifestações físicas tais como pele avermelhada ou mãos húmidas) e ocitocina, que são neurotransmissores associado ao sentimento de "Amor". Estes são neurotransmissores compostos por moléculas naturais semelhante à anfetamina e suspeita-se que a sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos simples, tais como uma troca de olhares ou um aperto de mãos. Tudo isto foi observado pelos médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico de Nova Iorque, onde estes observaram que o cérebro de uma pessoa apaixonada, quando visualizava uma foto da pessoa "amada", desencadeava uma libertação de grandes quantidades deste neurotransmissor e que esta substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando dizemos que estamos apaixonados. Da mesma forma em estudos mais tardios, realizados pela Dra. Helen Fisher, antropologista da Universidade Rutgers, demonstrou-se que a inconstância, a exaltação, a euforia, e a falta de sono e de apetite, sentidos pelos apaixonados, estão associam-se a altos níveis de dopamina e norepinefrina, estimulantes naturais do cérebro.

Em conclusão podemos afirmar que o "amor" não passa de uma "receita" fisiológica de vários compostos químicos que se dá no cérebro de cada um de nós. Mas, em última análise, porque é que acontece somente entre algumas pessoas e não com todas, porque nos sentimos "atraídas" por determinado indivíduo e não por outro?


Dra. Helen Fisher tenta dar uma resposta: "Normalmente, as pessoas apaixonam-se por alguém com quem interagem, mas, sobretudo, por alguém que considerem misterioso. Depois, a maior parte interessa-se por pessoas com o mesmo background sociocultural e com atitudes, expectativas e interesses paralelos." Verdade ou não, cada um sabe de si.


Mas, então se realmente o amor e a paixão não passam de reacções químicas do corpo, será que duram para sempre? Ou pelo contrário existe um limite de tempo para homens e mulheres sentirem o arrebatamento da paixão? Segundo a professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque, sim. Ela diz: "seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses". Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que o "amor" possui um limite para o seu "tempo de vida" longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança. "Em termos evolucionários," - ela comenta - "não necessitamos de corações palpitantes e suores frios nas mãos". Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos - e toda a "loucura" da paixão desvanece gradualmente - a fase de atração não dura para sempre. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor - companheirismo, afeto e tolerância -, e permanece junto. "Isto é especialmente verdadeiro quando filhos estão envolvidos na relação".

Em última análise para Helen Fisher, existem três tipos de impulsos racionais entre homens e mulheres.


• Luxúria – Que é o puro impulso sexual puro.


• Amor romântico – É a paixão tradicional, em que se perde a noção de si mesmo, pensando-se obsessivamente no outro e no desejo que ele causa. Há uma euforia e uma energia transbordantes. É uma espécie de estado de graça.


• Apego – É uma fase mais calma, normalmente seguinte ao amor romântico, que permite uma estabilidade emocional propícia ao cuidar dos filhos. Aqui destacam-se emoções como a afeição e a vontade de proteger os seres amados.


Por fim penso que seja correcto afirmar que se Romeu e Julieta não se tivessem suicidado decerto que até o casamento deles tinha acabado em divórcio. E em jeito de conclusão que o "amor", seja eterno enquanto dure.


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